Londrina estava irreconhecível. Estava. E era bom. Tava frio. Agora Londrina é Londrina mesmo: o inferno. E eu nem estou falando do horário político, nem da exposição agropecuária, nem de quem usa roupa de cowboy, não.
Tá quente mesmo. Saí do colégio hoje as 10:20 da manhã e resolvi ir embora a pé. Isso só pra não correr o risco de pegar o ônibus errado de novo e ficar perdida. Mentira. Esqueci minha carteira em casa.
Tive preguiça de tirar o moletom-cinza-fino-que-parece-pijama, só arregacei as mangas e fui caminhando e cantando e...mentira, não cantei não. Só fiquei escutando as músicas do meu mp3-baleia e tomando cuidado pra não começar a dançar no meio da rua.
Atravessei a Tiradentes, passei pelo Shangri-lá, entrei numa ruinha que tem no meio do quarteirão (não sei como chamam essas coisas) e saí na Leste-Oeste. Aí eu andei, andei, andei. Não prestei atenção em nada. Eu nunca presto atenção nas coisas enquanto eu ando na rua. Meus amigos já desistiram de me ver do outro lado da rua e tentar algum tipo de comunicação.
Depois de meia hora andando no sol e desviando de bicicletas, eu cheguei em casa. Tirei a blusa e lá estavam os meus ante-braços. Eles sempre estiveram ali, na verdade. Só que estavam vermelhos. Não estão mais, só que agora ardem e eu fui presenteada com braços bicolores.
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Meu nome é Marina e meus braços tortos são bicolores.
Publicado em 27 de setembro de 2008 às 17:01 por marina dias