O ano novo, o bolo e os quatro anos.
Chegou dia trinta e um. Ultimo dia do ano. As pessoas tentavam fazer uma retrospectiva enquanto preparavam a ceia - aliás, preparar a ceia havia sido uma tarefa para os mais jovens, dessa vez . Tentei pensar nas coisas que eu estava fazendo pela última vez no ano. É, eu sei. Mas eu sempre penso nisso. O mesmo acontece no dia 24 de março, que sempre é o último dia da minha vida com X idade. Enfim. Lá estavam todas as castanhas, lascas do melhor queijo parmesão, o melaço de romã, peru, pernil e o capeletti ao molho branco - sempre o melhor da noite. Até que me mandaram abrir a geladeira. Tinha um vinho na última prateleira da porta. E de repente, tudo era roxo. A parte amarela das minhas havaianas roxas e amarelas ficaram roxas, meu pé ficou roxo de medo dos cacos da garrafa verde quebrada e o chão também ficou roxo. E de noite, eu fui de rosa. Maquiei minha irmã, tirei fotos, e a família - sempre muito emocionante - fez uma oração bonita, com agradecimentos ao ano que estava indo e pedidos para o ano que vinha.
Meia noite, todo mundo na areia fofa empunhando garrafas de champanhe e assistindo atentos à queima de fogos. Tudo bem que um dos explosivos achou graça em vir em nossa direção. "-Tudo bem? Te queimou? -Só passou pela minha perna. -E você, se queimou? -Nada, só arrancou uns pelos do meu braço." Pulei as sete ondas e voltei pra casa. Eu queria mesmo era amanhecer por aí, mas ninguém se animou. Combinei com meu primo de ir dormir só a hora que ele fosse também, mas o sono foi mais forte.
Aí dia três era aniversário do pequeno. Minha tarefa era fazer um bolo de chocolate recheado com brigadeiro. Não tinha batedeira. Ok, meus braços são grandes, devem servir pra alguma coisa. Esqueci de separar a clara, mas deu na mesma. O bolo ficou uma delícia. Meio torto, mas muito gostoso. E toca sumir com a criança pra preparar a festa do Homem Aranha. Ele ficou maravilhado. Ganhou vários presentes, colocou chapeuzinho de festa em todos os convidados e no fim das contas, tava todo mundo empanturrado de coxinha que minha vó e fez brincando de cantar uma música com "tal" palavra na sala.
"-Eu já tenho quatro anos!
-Tá velho, hein?
-É, to muito velho mesmo!"
Publicado em 16 de janeiro de 2008 às 13:11 por marina dias
e bolo bom é bolo torto. nunca vi uma nega maluca toda retinha que fosse gostosa mesmo!.
e pelo menos tu não perdeu nas havaianas, só que agora elas não sai mais bicolor, hehe